sexta-feira, 18 de abril de 2014

A praia do Vitinho



A praia do Vitinho, tantas vezes referenciada na gíria familiar, tem a faculdade de despoletar vivências que explicam a cumplicidade que continua a existir entre os primos que actualmente rondam os 60 anos.
Ora bem, ainda na década de cinquenta (sim, em meados do século passado!) íamos todos no automóvel do Sr. Comandante conduzido por um chauffeur militar para a dita praia do Vitinho. O “todos” incluía: o Vitinho, o Joãozinho e a mãe deles (a prima Isaura); a minha mãe, o Mené (o Fernandinho), a Teresinha, o Nuno, a Belita e eu (a Lena); às vezes também a Carmen Rosa. Feitas as contas, no total, 10 ou 11 almas!
No antigo caminho para as praias seguíamos a par do canal da ria e, a certa altura, passava-se por uma ponte estreita com uma grande subida até ao cimo e a respectiva descida muito acentuada. E nós, todos empilhados no carro, que emoção! Era a parte mais divertida da viagem. 
Por fim, surgia o Jardim Oudinot, verdejante, com as suas palmeiras muito certinhas à beira da água a dar um tom exótico à paisagem. E logo a seguir chegava-se ao farol do Forte e cortava-se à direita. A nossa praia ficava mesmo aí, com S. Jacinto em frente. Tinha um areal razoável e era mesmo só para nós, ninguém mais a frequentava. A água era límpida, havia conchas, algas, caranguejos e muitas “cabras” que saltitavam à beira da água. Era esse o nome do que pensávamos serem camarões pequeninos.  
Numa área a perder de vista nós costumávamos brincar com total liberdade. Lembro-me perfeitamente de que alguns arbustos formavam uma espécie de abrigo e aí enfiados brincávamos, por exemplo, aos comboios. A Sacor viria a instalar-se pouco tempo depois, naqueles terrenos, trazendo muita poluição e destruindo para sempre aqueles areais e sua vegetação.
Porquê o nome "praia do Vitinho"?  Bem, o Vitinho tinha um ascendente sobre os outros primos por ser o mais velho e filho do Sr. Comandante a quem pertencia o carro que nos conduzia à praia, efectivamente a praia do Forte.
Na realidade, a praia do Vitinho simboliza a nossa idade da inocência.

25 de Abril de 2014

6 comentários:

  1. Olá a todos! As minhas primeiras memórias como «gente» são da praia do vitinho. Ir para a praia do vitinho era maravilhoso era uma coisa do outro mundo, era como se fosse para o paraíso. Ando a consultar a minha mãe para localizar no tempo e no espaço estas vivências ternas e maravilhosas.
    Vou lançar o desafio do porquê »praia do vitinho». Eu penso que tinha esse nome porque era o primo mais velho, MAIS VELHO 5 ANOS QUE EU... quase um velho... Nesse tempo o mais velho tinha muitas responsabilidades e era respeitado pelos mais novos, tanto mais que na ausência de adultos, era o irmão mais velho que assumia esse papel.
    Obrigada Lena pela tua iniciativa deste blog, em que podemos construir um álbum das nossas memórias colectivas. As nossas memórias do mesmo acontecimento não serão iguais e por isso mais interessante será este álbum.
    Resumindo, àquele pedacinho do céu demos o nome de praia do vitinho, mas porquê?

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  2. Porquê? Porque há raízes de afeto, na memória! A vossa praia do vitinho, é por mim desconhecida. Mas, só pelas vossas descrições... já formou no meu cérebro, um fio condutor de afetividade, a entrelaçar-me convosco! Este, é um abraço do passado/presente e de como os afetos, tão bem fazem viagens no tempo!
    Nós, também temos as nossas recordações da praia da Barra. O meu pai, recolhia a rapaziada e aí seguíamos, no "carro da canalha"! Fazíamos uma tentativa de jogar vólei e... vinha o momento mais desejado: ir à água!!! Como recordo, um colchão de praia para todos e as ondas a todos nos virava! Momentos de felicidade que tão bem sabem recordar...
    Obrigada, Lena, por nos conduzires de regresso, aos momentos mágicos, da nossa infância!

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  3. E pronto...aqui estou eu também a comentar memórias do passado.
    Lembro-me bem da praia do vitinho, das viagens para lá e para cá - até, acho eu, de se meter gasolina naquela enorme «banheira» algures perto do local de destino. Poderá ser? Ou esta memória é de outro filme?
    Agora o que eu gostava mesmo é que alguém me explicasse como é que eu entrava nestas «excursões». É que, se bem me lembro - e lembro-me bem - vivia um tantinho descentrada...

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    1. Olá
      Tens razão havia uma bomba de gasolina na Gafanha da Nazaré, Não me lembro das viagens na enorme «banheira», mas perguntei à minha mãe que confirmou a existência da gasolineira. Na altura devias estar em casa dos teus padrinhos e ficava em caminho, porque o Vitinho vivia à entrada de Mataduços e por outro lado têm de idades próximas.

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  4. Carissim(a/o)s
    Quão honrado me sinto por se lembrarem da "minha"??? praia. Para tal honra conta sem dúvida a minha provecta (ainda leva c?) idade. As memórias são de facto muitas e boas e acho execelente a Lena ter tido esta ideia.
    Nesses gloriosos anos a nossa Ria ainda era razoavelmente limpa e a água um bocadinho mais quente que na Barra ou na Costa. Lembram-se dos berbigões que apanhávamos e logo, pelo menos eu, comia crus ali?
    Quanto ao velho Opel em que nos deslocávamos "à molhada", lembro-me perfeitamente dele e também da bomba de gasolina que creio ficava junto ao jardim Oudinot onde havia também uma pensão que tinha um café onde esporadicamente iamos.
    Também me recordo de um magnifico escaldão que apanhei nessa bendita praia que me deixou doente não sei quanto tempo!!!!
    Não sei se haverá fotografias dessas nossas estadias balneares mas se alguém tiver penso que pode publicar.

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  5. Boa tarde a todos.
    Só hoje consegui tempo para voltar aqui a saber como vamos de passados... lugares muito mais seguros, de resto, do que este apagado e vil presente!
    É espantoso como a nossa memória selecciona! Não tinha já a mais vaga ideia de que o Vitinho vivia à entrada de Mataduços. Pois claro!
    E talvez porque o tempo está um bocadinho melhor e já cheira a praia, não me canso de pensar como foi possível que os pais e os «outros legítimos superiores» nos tenham deixado passar dias inteiros, por nossa conta e risco, na Barra, com aquele mar difícil e perigoso, à nossa disposição. Fora tudo o resto...
    Posso estar a embelezar a coisa, a fazer um rendilhado à volta do que me lembro, mas, em qualquer caso, julgo que íamos, por esses dias, à escola da nossa autonomia.

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